Dois estudantes universitários ficaram feridos ontem em um acidente envolvendo um ônibus Ligeirinho e um automóvel Gol no bairro Hugo Lange, em Curitiba. O caso, ocorrido na esquina das ruas Padre Germano Mayer e Augusto Stresser, é apenas mais um nas estatísticas de acidentes com veículos de transporte coletivo na capital. Segundo dados do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran), até agosto deste ano foram registrados 727 acidentes envolvendo ônibus na cidade – uma média de 2,99 ocorrências por dia. Desse número, 312 causaram mortes e feridos.
Os dois ocupantes do Gol, Marcelo Nowalski, 21 anos, e Luiz Guilherme Graneman, 20 anos, foram levados ao prontosocorro do Hospital Cajuru com ferimentos leves e fizeram uma bateria de exames de observação.
Os 15 passageiros que ocupavam o ônibus sofreram apenas um susto. Nem sempre, porém, um acidente envolvendo ônibus tem um final tão “feliz”. Só nos últimos três meses, foram registrados três ocorrências com mortes nas ruas de Curitiba (veja box).
O número de acidentes ocorridos neste ano, porém, caiu em relação à média registrada no mesmo período de 2005, quando foram contabilizados 749 registros envolvendo ônibus, sendo 284 acidentes com vítimas. De acordo com o 2.º sargento Ronivaldo Brites Pires, do BPTran, o envolvimento de ônibus em ocorrências no trânsito é baixo – equivalente a 4,47% do total de acidentes registrados na capital até agosto deste ano. “Foram 16,1 mil acidentes nesse período. Se analisarmos a frota e os acidentes todos os dias, o número de ônibus envolvidos nesses casos é baixo”, afirma o sargento.
Entre os fatores que influenciam nas estatísticas envolvendo ônibus, segundo o sargento estão o excesso de velocidade dos veículos, especialmente os biarticulados, o “furo” do sinal amarelo e a irresponsabilidade de alguns motoristas. “Há alguns locais mais críticos, principalmente no Centro da cidade, como no caso da Avenida Marechal Floriano Peixoto. Há constantes elementos-surpresa para os motoristas naquele local, porque o fluxo do trânsito é contrário ao movimento do ônibus que vai no sentido Boqueirão”, explica Pires.
O sargento lembra que no universo dos motoristas que trabalham no transporte coletivo em Curitiba – um total de 6.122 profissionais –, poucos podem ser considerados irresponsáveis. “É uma pequena minoria, no geral eles são profissionais bem preparados”, comenta.
Estação
A alta velocidade dos biarticulados que cruzam o Centro da cidade é outro motivo para sustos diários sofridos pelos taxistas com ponto em frente do Shopping Estação. O problema chegou a um ponto crítico quando um colega de trabalho foi atropelado e morreu na hora (veja box).
“Não podemos generalizar, porque os pedestres também são imprudentes, mas de cada dez ônibus que passam aqui, apenas dois vêm devagar. Não sei como não acontecem muito mais acidentes aqui”, diz o taxista Dionei Vidal de Lima, 28 anos. “Deveria ter um sinal para pedestres neste ponto”, afirma.
Para o colega dos acadêmicos Marcelo Kowalski e Luiz Guilherme Graneman, Vinícius Rigoni, 21 anos, os motoristas deveriam ter mais atenção no trânsito. “O acidente com os meus colegas foi numa esquina complicada, que tem um sinal de um tempo e onde os carros podem fazer cruzamentos perigosos”, afirma.
Nesse acidente, os dois veículos vinham em sentido contrário, quando o ônibus dobrou para a esquerda e cortou a frente do carro, que ia reto em direção ao câmpus de Agronomia da Universidade Federal do Paraná.
De acordo com o motorista do ônibus, Elias Sandoval, 33 anos, o condutor do carro teria dado sinal de luz para que ele pudesse passar. “Deu sinal de luz e não freou, aí não teve jeito”, disse. Já Rigoni defende o amigo. “Sinal de luz significa tanta coisa, é besteira achar que significa que pode passar na frente”, considera.
Capacitação
Para garantir uma vaga na Rede Integrada de Transporte (RIT), os motoristas precisam passar por cursos de direção defensiva e percepção do papel social dos profissionais do trânsito. De acordo com o diretor do Departamento de Multas e Infrações de Trânsito do Sindicato dos Motoristas e Cobradores da Grande Curitiba (Sindimoc), Júnior Franco Mikulski, todos os profissionais são capacitados previamente pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Senat), um curso com carga horária de 48 horas, e um ciclo de palestras oferecido pelo sindicato.
O treinamento, requisito básico para a contratação pelas empresas de ônibus, inclui aulas de direção defensiva, primeiros socorros e responsabilidade social no trânsito. “Tivemos alguns acidentes.
Mas se analisarmos a proporção, o número é mínimo, porque os motoristas são profissionais qualificados”, ressalta. No caso do acidente de ontem, Mikulski acredita na confiança excessiva do motorista na sinalização dos ocupantes do carro.
“Sinal de luz não existe na legislação. Os motoristas são instruídos a seguir apenas o que diz a lei, para evitar esse tipo de coisa”, afirma.
« Voltar